quarta-feira, 15 de Junho de 2011

Tycho Brahe

Tycho Brahe (1546-1601), foi um astrónomo, astrólogo, e alquimista dinamarquês, que também trabalhou na área da metereologia, sendo muitas considerado o primeiro observador astrónomo moderno. Defi niu novos padrões para medidas precisas e objectivas, e o seu primeiro observatório em Hven foi, de várias formas, a primeira instituição moderna de pesquisa. No entanto, todas as suas observações foram efectuadas a olho nu, dado que ainda não havia sido inventado o telescópio.

A 11 de Novembro de 1572 Tycho observou uma estrela muito brilhante, hoje conhecida por SN 1572, que surgiu inesperadamente na constelação Cassiopeia. Como, desde a Antiguidade, se acreditava na imutabilidade celeste, outros observadores diziam que o fenómeno se tinha dado na esfera terrestre abaixo da lua. Mas Tycho observou que este objecto não mudava a sua posição em relação às estrelas fixas, o que sugeria que não se tratava de um planeta, mas sim de uma estrela fixa na esfera estelar, situada mais além do que todos os planetas. Em 1573 publicou o livro De nova stella, cunhando a expressão "nova" para uma estrela desse tipo. Esta descoberta foi decisiva para a sua escolha de carreira como astrónomo.

Tycho fez observações de um cometa em 1577. Ao medir a sua paralaxe, foi capaz de provar que o cometa estava mais distante que a lua, contradizendo novamente os ensinamentos de Aristóteles, que afi rmava que os cometas eram fenómenos atmosféricos. Acreditava num modelo geo-heliocêntrico, no qual as órbitas do Sol e da Lua eram à volta da Terra, e as dos outros planetas à volta do sol. Defendia o geocentrismo argumentando que a Terra era demasiado lenta para estar continuamente em movimento, e que se, de facto, se movesse poder-se-ia observar uma paralaxe estelar a cada meio ano. Esta paralaxe existe, de facto, mas é  tão pequena que só foi detectada na década de 1830. Apesar deste modelo ser também conhecido por Tichónico, Tycho não foi o primeiro a propô-lo, tendo apenas feito pequenas alterações relativamente a modelos anteriores.

Tycho, juntamente com Kepler, re novou a teoria lunar ptolomaica, mas não corrigiu o seu defeito principal de não ter em conta as variações da sua distância (principalmente as mensais), do seu diâmetro, e da paralaxe. O seu trabalho adicionou, no entanto, três aspectos fundamentais:

1. Os nodos e a inclinação dos planos da órbita lunar aparentam um período de oscilação de um mês (Tycho) ou semi-anual (Kepler)
 2. A longitude lunar tem uma variação bi-mensal, deslocando-se mais depressa na lua nova e lua cheia, e mais lentamente nos quartos.
3. A equação anual, segundo o qual a Lua abranda em Janeiro e acelera em Julho.

Estes melhoramentos foram reconhecidos pelos seus sucessores imediatos.

Até 1592, Tycho havia produzido um catálogo de 777 estrelas, o primeiro novo catálogo conhecido no Ocidente desde a época de Ptolomeu. Mediu mais de 1000 posições de estrelas que foram publicadas nas Tabelas Rudol finas (por Kepler), e tinham uma precisão muito superior à das anteriores, da ordem de um minuto de arco. Embora as observações dos seus registos sejam mais precisas, entre 32,3" e 48,8", erros sistemáticos até 3' eram introduzidos em algumas posições publicadas no seu catálogo, devido ao uso de valores antigos e errados de paralaxe, e por ignorar a refracção da estrela polar. Os erros de transcrição eram, por vezes, da ordem dos graus.

Devido à refracção atmosférica, objectos celestes observados perto da linha do horizonte e acima aparentam ter uma altitude superior à real, e uma das inovações mais importantes de Tycho foi a criação e publicação de tabelas para a correcção sistemática desta possível fonte de erro. Mas por muito avançadas que fossem, não continham informação para a refracção solar acima de 45º de altitude, nem para outras estrelas acima de 20º.
A sua precisão acrescida é atribuída ao tamanho dos seus instrumentos, ao seu cuidado no desenho e construção dos mesmos, e ao seu programa de observações cuidadosamente planeado. Tycho verificava constantemente os seus instrumentos, comparando-os entre si.

Embora o seu modelo planetário tenha sido desacreditado, as suas observações astronómicas foram uma contribuição essencial para a Revolução Científica. Após a sua morte, os registos do movimento de Marte forneceram provas a favor da descoberta da elipse (reconhecida por Kepler) e contribuíram decisivamente para a formulação das leis do movimento planetário de Kepler.

Raimundo Martins

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