terça-feira, 14 de junho de 2011

Aristóteles

Aristóteles foi um filósofo grego que, como a maioria dos sábios da sua época, se dedicou a imensas áreas de estudo, sendo a Física apenas uma delas. Além de as estudar, deu grandes contribuições à maioria delas: diz-se que foi o último homem a saber tudo o que havia para saber no seu tempo.

Nasceu em 384 a. C. em Estagira, sendo o seu pai o médico pessoal do rei Amintas da Macedónia. Foi, por isso, educado como membro da aristocracia local e esteve sempre relacionado com a Macedónia. Aos 18 anos, depois da morte do pai, o seu tutor aconselhou-o a ir para Atenas estudar na Academia de Platão(que, por sua vez, foi estudante de Sócrates) durante cerca de 20 anos. Quando Platão morreu foi indicado para seu sucessor, mas a divergência de pensamento entre os dois tornava isso impossível. Partiu então para a Ásia Menor, para a corte do seu amigo Hermias. Aí investigou biologia e zoologia, casou-se com Pythias, de quem teve uma filha, e pouco depois da morte de Hermias, que sucumbiu aos Persas, foi, em 343, convidado para ser o tutor do filho de Filipe II da Macedónia, , então com 13 anos, que viria a ser Alexandre, o Grande. Incitou o jovem a conquistar a Pérsia e a ser impiedoso para com os persas.

Regressou a Atenas quando Alexandre sucedeu a seu pai, em 335 a.C., fundando a sua própria escola, conhecida por Lyceum. Leccionou aqui durante treze anos: foi neste período que escreveu a maioria dos seus trabalhos, dos quais muito poucos sobreviveram até ao nosso tempo. Quando a sua mulher morreu, Aristóteles enamorou-se de Herpyllis de Estagira,que lhe deu um filho.

Alexandre desconfiou que o filósofo conspirava contra ele. Após a morte do imperador, Aristóteles voltou a abandonar Atenas quando começou a ser alvo de acusações, tendo-se mudado para Euboea em 322 a. C., onde morreu nesse mesmo ano devido a uma doença de estômago.

As suas ideias em Física, apesar de hoje se encontrarem ultrapassadas, modelaram profundamente a forma ocidental de pensamento e de ensino durante a Idade Média, chegando mesmo ao Renascimento, quando foram substituídas pelas leis de Galileu e Newton. Os seus livros Physics, contendo muitos conceitos sobre o funcionamento da Natureza, tiveram importância fulcral no desenvolvimento das teorias seguintes na filosofia natural. Para Aristóteles, há coisas naturais, que respondem ao movimento de acordo com aquilo que realmente são, e coisas artificiais, que respondem de acordo com aquilo a partir do qual foram feitas. Tudo na Natureza tem um propósito e há suficientes evidências de que tudo é fruto de um plano racional.

A respeito da constituição da matéria, baseada nos quatro elementos da filosofia grega, propôs um modelo de cinco elementos, ordenados de acordo com um sítio natural onde estar, desde o centro do universo: Terra (que é fria e seca), Água (fria e molhada), Ar (quente e molhado), Fogo (quente e seco) e Éter (a substância
divina da qual os objectos celestes são feitos). Quando os elementos não se encontravam na sua posição natural, moviam-se em direcção a ela, o que explicava porque os objectos caem e se afundam, porque é que bolhas de ar se elevam na água e chamas no ar e porque é que a chuva cai. Os elementos celestes têm
movimento circular perpétuo.

O Universo encontra-se entre dois extremos - a Forma sem Matéria e a Matéria sem Forma - e a passagem de Matéria a Forma está patente nos estágios do mundo natural. Aristóteles explica que Matéria é aquilo que pode sofrer mudança ou movimento, passando para Forma, dividindo-se o movimento em quatro tipos: movimento que afecta a substância que compõe uma coisa; movimento que altera a qualidade de uma coisa; movimento que altera a quantidade de uma coisa; movimento que resulta em locomoção ou alteração de local, que é a mais importante. O filósofo define Espaço como um volume coexistente com um corpo, não como vazio e Sítio como uma fronteira ou superfície. Aristóteles não considera que o espaço ara vazio, até porque o vazio seria contraditório com a sua ideia de locomoção, discordando também de que os elementos eram compostos por figuras geométricas, como Platão e Pitágoras afirmaram. Define Tempo como uma medida do Movimento relativamente a antes e a depois, sendo uma quantidade dependente do Movimento, da Mudança no Universo, bem como da existência de uma mente que efectue a medida, a contagem do Movimento. Quanto à noção de infinito, Aristóteles divide-o em vários tipos, o infinito por adição e infinito por divisão e o infinito em potencial e infinito real, afirmando que o único que existe é o em potencial, o que implica que as coisas, incluindo Espaço e Tempo, não são infinitamente divisíveis, apesar de serem contínuas, não existindo também corpos nem substâncias infinitas.

No seu conjunto de livros sobre Física, Aristóteles passa depois à área em que ordena os seres por valor e grau de complexidade, admitindo que as espécies não evoluem, porque quanto maior for esse grau mais o princípio da Forma estará avançado neles - a organização interna é dada pela alma ou vida do organismo. Coloca como seres de menor valor objectos inorgânicos, seguido das plantas, cujas almas contêm um elemento nutritivo que as preservam, depois os animais, cujas almas têm um elemento que os faz ter sensações e desejos, proporcionando-lhes a habilidade de se moverem e, finalmente, os seres humanos, que além das componentes anteriores, possuem na sua alma elementos racionais.

Além disto, Aristóteles possuía os conceitos de óptica mais precisos da sua época e é na sua documentação que se encontra a primeira evidência escrita de uma câmara escura, que ele usava para observar o Sol.

Natacha Violante Gomes Leite

Referências:

http://en.wikipedia.org/wiki/Aristotle
http://en.wikipedia.org/wiki/Physics_%28Aristotle%29
http://www.iep.utm.edu/aristotl/

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