quarta-feira, 15 de junho de 2011

Tycho Brahe

Tycho Brahe, nascido em 1546, foi um astrónomo, astrólogo e alquimista proveniente da nobreza da Dinamarca. Aos 12 anos ingressou na Universidade de Copenhaga, para estudar Direito. O seu fascínio pela astronomia surgiu aos 14 anos, ao ver um eclipse solar e, principalmente, por ele ter sido previsto. Comprou e analisou várias obras, efemérides e tabelas astronómicas. Pôde observar aos 17 anos um momento raro em que Júpiter e Saturno passaram um pelo outro, evento que fora previsto com o erro de um mês pelas tabelas de Ptolomeu, revistas por uma equipa espanhola, e de vários dias pelas tabelas de Copérnico. Revoltou-o perceber que, para cada fenómeno, cada astrónomo tinha uma medida diferente e que bastaria realizar estudos precisos das posições dos planetas durante um longo período de tempo, noite após noite, para evitar estas e outras discrepâncias. Decidiu que o seu objectivo de vida seria empreendê-los.

Na Alemanha encontrou alguns astrónomos amadores que convenceu da necessidade de rigor e dedicação para fazer progredir a astronomia, conseguindo levá-los a construir um quadrante, graduado em minutos, com mais de 5,5 m de raio, com o qual começou as suas observações. Depois de voltar à Dinamarca, avistou em 1572 avistou ma nova estrela, que brilhava mais que Vénus e era visível mesmo de dia. Tentando medir-lhe a paralaxe com um novo e enorme sextante, Tycho Brahe confirmou que se tratava de uma estrela do firmamento e não apenas de um fenómeno atmosférico.

A questão era que os ensinamentos bíblicos e aristotélicos afirmavam que, para além da órbita lunar, não ocorria nenhuma mudança, permanecendo as estrelas fixas imutáveis desde o dia da criação. Tycho publicou o seu estudo pormenorizado desta "nova estrela" - sabemos hoje ser uma supernova, que passados 18 messes se extinguiu - e foi após este evento que se tornou um astrónomo de renome. À passagem de um cometa, provou, pelo método da paralaxe, que se tratava de um outro objecto a mover-se para lá da Lua e, além disso, a sua órbita claramente que não era circular, um requisito aristotélico para todos os corpos celestes.

Não havia equipamentos mais avançados do que os seus, nem astrónomo que lhe fizesse frente na precisão das medições. Tycho Brahe visitou vários astrónomos no estrangeiro. O rei dinamarquês, temendo que o seu melhor astrólogo saísse do país, ofereceu-lhe uma ilha, escravos e fundos avultados para construir o seu próprio observatório e residência. O observatório dfe Tycho era realmente grandioso, com um sem fim de instrumentos, servos e relógios - para que o instante das medições fosse tão preciso quanto possível com a tecnologia ao dispor na época. O número de pessoas envolvidas permitia que o mesmo evento fosse medido quatro vezes simultâneamente, minimizando em muito a margem de erro. Mas, quando o rei foi sucedido pelo seu filho, o financiamento de Tycho foi reduzido e ele abandonou a ilha, aborrecido, levando com ele a maior parte do seu equipamento, que estava preparado para ser desmontado e transportado. Viajou por várias cidades alemãs até se instalar em Praga, onde o rei lhe concedeu financiamento e um castelo, mas optou por se mudar para um outro local mais apropriado para as suas observações. Foi aqui que conheceu Johannes Kepler, que empregou como seu assistente, um ano antes de falecer.

Tycho procurou com o melhor das suas capacidades medir a paralaxe das estrelas do céu e o facto de não o conseguir levou-o a concluir que ou as estrelas se encontram tão longe da Terra que a sua paralaxe é demasiado pequena para ser detectada, ou a Terra se encontra imóvel no centro do Universo. Não crendo que as estrelas estivessem tão distantes quanto seria necessário para não ser possível medir paralaxe, concluiu que a segunda hipótese era a correcta. Propôs um modelo do sistema solar geo-heliocêntrico em 1587: um fundo de estrelas fixas a a Terra imóvel no centro do Universo, à volta da qual giravam a Lua e o Sol giravam, girando os restantes planetas em torno do Sol. Isto explicava não só o facto de as estrelas não possuírem paralaxe, o que está de acordo com Ptolomeu, mas também as suas observações da órbita de Marte em torno do Sol, característica do modelo heliocêntrico de Copérnico publicado três anos antes do seu nascimento, mas sem a desvantagem deste da previsão incorrecta das órbitas planetárias - por serem julgadas circulares. Já tinham sido apresentados outros modelos geo-heliocêntricos, desde o tempo de Heráclitos, mas com ligeiras diferenças - a Terra rodava em torno de si própria ou os planetas telúricos giravam em torno da Terra e apenas Júpiter e Saturno à volta do Sol. Este modelo encontrou apoiantes no século XVII, entre todos os que negavam o heliocentrismo, mas admitia-se já que a Terra possuía movimento de rotação, evidenciado pela descoberta de variações sazonais das posições das manchas solares. Acabou, no entanto, de ser substituído pelo heliocentrismo antes de se tornar demasiado popular.

As tabelas de Tycho catalogam centenas de estrelas com uma precisão da ordem do minuto de arco, um feito insuperável no tempo em que ainda ninguém apontara um telescópio para o céu. Foi graças às medições que guardara com avareza durante vida, que Kepler, tendo-lhes acesso após a sua morte em 1601, enunciou as chamadas leis de Kepler. A sua desconcertante conclusão de que as órbitas são elípticas em vez de circulares foi baseada nos dados pormenorizados que Tycho Brahe compilara sobre a órbita de Marte quando tentava realizar observações que apoiassem o seu modelo do sistema solar.

Natacha Violante Gomes Leite

Referências:

- http://en.wikipedia.org/wiki/Tycho_Brahe
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Tycho_Brahe
- http://galileoandeinstein.physics.virginia.edulectures/tychob.html
- http://csep10.phys.utk.edu/astr161/lect/history/brahe.html

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